02 janeiro 2009

Oliveira Silveira

Gostaria de compartilhar uma rápida reflexão/homenagem neste momento em que o amigo Oliveira Silveira morreu. Tive a feliz oportunidade de partilhar de sua companhia de maneira intensa nos anos de 2004, 2005 e 2006, quando produzi minha dissertação de mestrado sobre a construção da idéia do 20 de novembro. Sempre atencioso, aguardava com aquele meio sorriso – tímido e, ao mesmo tempo, curioso.
Sua presença fará falta neste momento em que os “pensadores” cada vez mais tem ojeriza de militância. Tenho ouvido isso repetidamente na academia: “queremos pesquisadores, não militantes”. Quem faz a diferença, considerando o mundo que vivemos? A resposta foi nos dada pelo Oliveira com sua vida e obra.
Contou-me, certo dia, que sua experiência como militante começou inspirado por uma de suas professoras no Julinho, a de literatura. Ela lhe apresentou a literatura africana e todo o seu engajamento naquele momento histórico da descolonização. A partir das linhas da escrita da África, elaborou a história da sua vida. Ela se confunde com o movimento negro moderno, como ele costumava denominar a fase posterior ao fato político do 20 de novembro. Foi um de seus muitos arquitetos.
Sua história, no entanto, começo a ser rabiscada ainda na infância. Filho de mãe negra e pai uruguaio, recordava sua infância em Rosário do Sul: “Era uma comunidade remanescente de quilombo. Desse tipo, né?! Familiar.[...] Nós convivemos com a família negra, ali, sempre. [...] Isso aí, sem dúvida, ficou sendo um substrato.”. A idéia de comunitarismo foi seu projeto e herança , pois, como sempre enfatizava, Palmares foi “uma construção coletiva de negros que tiveram seus líderes, mas que tinham construído juntos tudo aquilo”. Que ele seja recebido nos braços de Oxalá e descanse no colo de Nanã.

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