12 setembro 2008

Direito de ser

Há algum tempo, tem-se discutido aqui no Rio Grande do Sul o direito constitucional da liberdade religiosa. Várias tentativas de lei e de medidas judiciais demonstram que a ingnorância - no sentido de desconhecimento - faz com que as pessoas desconfiem e confundam o que é religião de matriz afro. Por outro lado, há a perseguição implacável de outras religiões que se querem as únicas, ou verdadeiras. O que é verdade? Ou melhor, existe hegemonia do sagrado? Monopólio do divino? Não é um reflexão gratuita. Recebi por e-mail um convite para assinar o MANIFESTO DOS INTELECTUAIS, ARTISTAS, MILITANTES E RELIGIOSOS EM APOIO À CAMINHADA PELA LIBERDADE RELIGIOSA. Será uma marcha que ocorrerá em 21 de setembro no Rio de Janeiro em defesa desse direito constitucional. Se alguém quiser assinar basta clicar.

03 setembro 2008

Ler, escrever, falar e pensar

Hoje, encontrei meu amigo Carpinejar. Falamos sobre amenidades. Ele me contou de suas aulas no curso de Rock. Escrita criativa. Fiquei refletindo sobre isso e lembrei da maioria dos jovens que conheço. Lêem pouco, escrevem com dificuldade e falam da mesma maneira. Surge um tempo de novas necessidades que não o pensar? Ou falta incentivo para que façam? Estudos indicam que reformas nos sistemas de ensino demoram uma ou duas gerações para atingir os primeiros resultados - seja lá como isso é contado nos dias de hoje, considerando que as crianças nascem de olhos abertos. Teremos que esperar tudo isso para ver o impacto a reintrodução da sociologia e da filosofia no ensino fundamental e médio. Mesmo que no fim do túnel, há esperança.

02 setembro 2008

Uma questão

O título deste post é bastante indicativo. Atualmente, uma questão me provoca. A discussão é urgente e precisa ser travada por quem realmente está engajado no processo de transformar o lugar social e histórico do negro. Muitos pesquisadores generalistas, das ciências humanas e sociais, estão migrando para os estudos sobre o negro. Explico. Em sua maioria institucionalizados, dedicaram anos de suas vidas aos temas mais variados. Sempre os que estiveram na "moda". Nunca se preocuparam em pensar a situação do negro no Brasil. Hoje, o tema rende investimentos, recursos para pesquisa e projeção. A migração é notória. Todo mundo está a pesquisar a questão negra. Lembro que em 2004, quando entrei no mestrado para trabalhar com história contemporânea do negro, fiquei um ano sem orientador. Ninguém se dedicava ao tema, ou queria abraçá-lo. O pior de tudo, nesta corrida por onde está o dinheiro, é que os de sempre não abrem espaços para os que sempre (a redundância é provocativa) pesquisaram sobre o tema. Para os negros, isso não é moda. Continua sendo uma questão política.

Atualidade de um discurso

Leia com atenção o texto a seguir:
"o reconhecimento da tradição histórica dará rumo à busca de uma ideologia negra; - que reafirmando e reconquistando sua cultura ele será negro, e visto como tal, irá se impor como ser humano completo." A atualidade desta discussão impressiona. O texto, no entanto, foi escrito há 36 anos no primeiro grande manifesto público-midiático do Grupo Palmares, os instituidores do 20 de novembro. Devemos ouvir o que seus textos ainda têm a dizer. Ainda escreverei mais sobre isso.