08 dezembro 2008

O destino de um Black Panther

O MNU de São Paulo está engajado na mobilização de movimentos que lutam contra o racismo em todo o mundo em defesa da liberdade de Mumia Abu Jamal. Jornalista e escritor de oposição, ex-militante dos Panteras Negras, atualmente é integrante do Move, uma organização de ativistas negros da Filadélfia. O militante está preso desde 1981, condenado a morte. É acusado da morte de um policial. O movimento negro mundial, no entanto, relata que possui documentos, provando que o governo da Filadélfia persegue o jornalista, desde os seus 14 anos, sendo que com 15, Mumia ocupava o cargo de secretário na comissão de informações do redator do periódico dos Black Panthers. Também como radialista, sempre denunciou as injustiças e as práticas racistas do estado norte-americano. A procuradoria distrital da Filadélfia aguarda para o dia 19/12 a resposta do pedido feito ao supremo tribunal dos EUA que voltasse a impor a pena de morte a Mumia. Neste dia, será definido se o preso será executado ou mantido em prisão perpétua.

Contato com o Grupo KILOMBAGEM (kilombagem@yahoo.com.br), o MNU - Movimento Negro Unificado (mnu.juventudesp@gmail.com), ou o Movimento Anarcopunk de São Paulo (map_sp@yahoogrupos.com.br).

10 outubro 2008

O legado de Clóvis Moura

"O endeusamento dos heróis do passado, transformados em mitos ou símbolos da raça, como é o caso de Zumbi [se de um lado são justas, de outro], preenche a lacuna de grandes líderes negros no presente." Clóvis Moura, 1994,p.248

O texto serve de provocação para os movimentos negros que debatem-se, mas prescindem de pessoas realmente referenciais - excetuando-se o Abdias. No entanto, o objeto principal deste post refere-se a muitas pessoas da academia que relutam em utilizar a obra de Clóvis Moura pois o acusam de ser militante. Muitos deles, no entanto, trabalham agarrados a teoria proposta, por exemplo, pelo jamaicano Stuart Hall. Desconhecem que este último declara, como seu projeto teórico, ser um intelectual orgânico - em outras palavras, militante. Foi sempre o que pregou Gramschi e, inclusive, morreu por isso, além de muitos outros pensadores do socialismo e mesmo do capitalismo. Por que todos podem e se tornaram referências das Ciências Sociais, Humanas e Políticas mundiais e o Clóvis Moura não?

06 outubro 2008

Atualidade de um discurso 2

A necessidade de reorganizar e apropriar-se do passado para negociar a inclusão completa nas sociedades do chamado Atlântico Negro é recorrente no fim dos anos 60 início dos 70. Martin Luther King Jr., em seu histórico discurso proferido na marcha a Whashington, faz referência à história ao referir que “Cem anos depois [da Proclamação da Emancipação, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.” (KING JR., 1963). Também Bob Marley, cantor jamaicano que mundializou as idéias do rastafarismo e a leitura do discurso garveyrista de retorno a África, alertava que “Só metade da historia foi contada / E então agora que você enxergou a luz, ei!/ Lute pelos seus direitos /” (MARLEY, 1973).
A idéia da existência de um “mundo negro” chegou ao Brasil ainda na década de 30, também através do discurso garveyrista. A ideologia era defendida por um pequeno grupo do jornal O Clarim da Alvorada. A publicação era um dos meios de divulgação do movimento social negro do período. O discurso do grupo, no entanto, não possuía grande repercussão, pois a maioria das entidades negras adotava o branqueamento como modelo de integração social.
Reforçado na década de 50, por iniciativas como o Teatro Experimental do Negro, a idéia de pertencimento a uma tradição cultural diferente da oficial é o ponto inicial da ação do Grupo Palmares. A instituição do 20 de Novembro, como Dia do Negro, em oposição ao 13 de maio, sintetiza essa passagem de uma tradição oficial para uma tradição negra. A proposição surge como um fato novo dentro da luta política contra a hegemonia eurocêntrica da cultura oficial.

Garveyrismo

Marcus Mosiah Garvey nasceu em 1887 na Jamaica. Fundou a Associação para o Progresso Negro Universal, que contava com mais de um milhão de afiliados em 40 países em 1927. Defendia a criação de uma nação autônoma e independente na África, chegando a investir no desenvolvimento e colonização da Libéria. Lançou a Declaração dos Direitos dos Povos Negros do Mundo, enaltecedor da etnia negra, encorajando a autoconfiança e o patriotismo africano. As idéias de Garvey encontraram eco entre os líderes religiosos da Jamaica. A ele foi atribuída uma profecia que previa a coroação de um rei negro na África, que conduziria os negros do mundo inteiro a redenção. Os seguidores de Garvey na Jamaica reconheceram o libertador em Ras Tafari Tafari Makonnen, proclamado rei da Etiópia em 1930, adotando o nome de Haile Selassie I, dizendo-se legítimo herdeiro da antiga linhagem do Rei Salomão. Numa leitura livre da bíblia, seria o messias que libertaria os negros do mundo inteiro e os levaria de volta à terra de seus pais.

Uma frase

“Podemos encontrar prazer nesta história de resistência, mas, mais polemicamente, acho que deveríamos também estar preparados para lê-la política e filosoficamente nos momentos em que ela incorporou e manifestou críticas ao mundo tal como é.” Paul Gilroy. Atlântico Negro (2001, p.13)

12 setembro 2008

Direito de ser

Há algum tempo, tem-se discutido aqui no Rio Grande do Sul o direito constitucional da liberdade religiosa. Várias tentativas de lei e de medidas judiciais demonstram que a ingnorância - no sentido de desconhecimento - faz com que as pessoas desconfiem e confundam o que é religião de matriz afro. Por outro lado, há a perseguição implacável de outras religiões que se querem as únicas, ou verdadeiras. O que é verdade? Ou melhor, existe hegemonia do sagrado? Monopólio do divino? Não é um reflexão gratuita. Recebi por e-mail um convite para assinar o MANIFESTO DOS INTELECTUAIS, ARTISTAS, MILITANTES E RELIGIOSOS EM APOIO À CAMINHADA PELA LIBERDADE RELIGIOSA. Será uma marcha que ocorrerá em 21 de setembro no Rio de Janeiro em defesa desse direito constitucional. Se alguém quiser assinar basta clicar.

03 setembro 2008

Ler, escrever, falar e pensar

Hoje, encontrei meu amigo Carpinejar. Falamos sobre amenidades. Ele me contou de suas aulas no curso de Rock. Escrita criativa. Fiquei refletindo sobre isso e lembrei da maioria dos jovens que conheço. Lêem pouco, escrevem com dificuldade e falam da mesma maneira. Surge um tempo de novas necessidades que não o pensar? Ou falta incentivo para que façam? Estudos indicam que reformas nos sistemas de ensino demoram uma ou duas gerações para atingir os primeiros resultados - seja lá como isso é contado nos dias de hoje, considerando que as crianças nascem de olhos abertos. Teremos que esperar tudo isso para ver o impacto a reintrodução da sociologia e da filosofia no ensino fundamental e médio. Mesmo que no fim do túnel, há esperança.

02 setembro 2008

Uma questão

O título deste post é bastante indicativo. Atualmente, uma questão me provoca. A discussão é urgente e precisa ser travada por quem realmente está engajado no processo de transformar o lugar social e histórico do negro. Muitos pesquisadores generalistas, das ciências humanas e sociais, estão migrando para os estudos sobre o negro. Explico. Em sua maioria institucionalizados, dedicaram anos de suas vidas aos temas mais variados. Sempre os que estiveram na "moda". Nunca se preocuparam em pensar a situação do negro no Brasil. Hoje, o tema rende investimentos, recursos para pesquisa e projeção. A migração é notória. Todo mundo está a pesquisar a questão negra. Lembro que em 2004, quando entrei no mestrado para trabalhar com história contemporânea do negro, fiquei um ano sem orientador. Ninguém se dedicava ao tema, ou queria abraçá-lo. O pior de tudo, nesta corrida por onde está o dinheiro, é que os de sempre não abrem espaços para os que sempre (a redundância é provocativa) pesquisaram sobre o tema. Para os negros, isso não é moda. Continua sendo uma questão política.

Atualidade de um discurso

Leia com atenção o texto a seguir:
"o reconhecimento da tradição histórica dará rumo à busca de uma ideologia negra; - que reafirmando e reconquistando sua cultura ele será negro, e visto como tal, irá se impor como ser humano completo." A atualidade desta discussão impressiona. O texto, no entanto, foi escrito há 36 anos no primeiro grande manifesto público-midiático do Grupo Palmares, os instituidores do 20 de novembro. Devemos ouvir o que seus textos ainda têm a dizer. Ainda escreverei mais sobre isso.

30 agosto 2008

No branco do papel
jogo palavras desgarradas
em busca de alguém que as colham...

Escrevo o que eu quero

Há algum tempo, tenho pensado em criar um lugar para bate-papo com os amigos. Pois aqui está! Este é o meu recanto no espaço virtual. O título deste cantinho é uma referência a Frank Talk, Stephen Bantu Biko ou Steve Biko, o intelectual orgânico sul-africano que foi assassinado pelo regime apartheid. Ele soube combinar sua militância com uma importante reflexão sobre a existência, deixando, entre outras coisas, um legado sobre a urgência da "tomada de consciência". Falava da questão negra. O princípio, no entanto, pode ser aplicado a todas as causas sociais. Quando tomarmos consciência de que o ser deve estar a frente do ter e do devir, o mundo será melhor. Espero que ainda dê tempo...
Fiquem a vontade e sejam bem vindos.