A necessidade de reorganizar e apropriar-se do passado para negociar a inclusão completa nas sociedades do chamado Atlântico Negro é recorrente no fim dos anos 60 início dos 70. Martin Luther King Jr., em seu histórico discurso proferido na marcha a Whashington, faz referência à história ao referir que “Cem anos depois [da Proclamação da Emancipação, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.” (KING JR., 1963). Também Bob Marley, cantor jamaicano que mundializou as idéias do rastafarismo e a leitura do discurso garveyrista de retorno a África, alertava que “Só metade da historia foi contada / E então agora que você enxergou a luz, ei!/ Lute pelos seus direitos /” (MARLEY, 1973).
A idéia da existência de um “mundo negro” chegou ao Brasil ainda na década de 30, também através do discurso garveyrista. A ideologia era defendida por um pequeno grupo do jornal O Clarim da Alvorada. A publicação era um dos meios de divulgação do movimento social negro do período. O discurso do grupo, no entanto, não possuía grande repercussão, pois a maioria das entidades negras adotava o branqueamento como modelo de integração social.
Reforçado na década de 50, por iniciativas como o Teatro Experimental do Negro, a idéia de pertencimento a uma tradição cultural diferente da oficial é o ponto inicial da ação do Grupo Palmares. A instituição do 20 de Novembro, como Dia do Negro, em oposição ao 13 de maio, sintetiza essa passagem de uma tradição oficial para uma tradição negra. A proposição surge como um fato novo dentro da luta política contra a hegemonia eurocêntrica da cultura oficial.
06 outubro 2008
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